Quem sou eu
- MEU BULLDOG FRANCÊS
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- Sou um apaixonado por Bulldog Francês comecei com uma fêmea e agora estou criando a raça por motivo de ser um cachorro de temperamento tranquilo e companheiro Estamos providenciando o nosso próprio canil logo com muitos filhotes de qualidade para nossos amigos e clientes. Venho por meio deste blog, informar as pessoas sobre algumas duvidas que já tive também, sobre doenças e outras coisas, por isso dedico algum tempo do meu dia pra procurar matérias sobre a raça e doenças em geral, escrever algumas coisas que já passei criando a raça. Espero com isso ajudar as pessoas. André Sanches. safemi
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Dermatites alérgicas são comuns em cães
Veterinária alerta que dermatites alérgicas são comuns em cães
31 de maio de 2009 às 4:15
Um dos problemas de saúde mais comuns entre os pets são as doenças de pele. Coceira, vermelhidão, ferida e queda de pelo são os principais sintomas de que o animal está com algum problema dermatológico. O mais comum deles é a dermatite alérgica.
Segundo a médica veterinária Sirlei Manzan, as alergias cutâneas representam 15% das consultas em sua clínica e a mais comum entre os pets é a atopia, causada pelo contato com ácaros, bolores, pólen e poeira.
Há também a alergia causada pela picada de pulga. Atualmente existem vários produtos no mercado que combatem de forma eficaz o inseto deixando o animal livre desse tipo de alergia.
Outra forma de dermatite alérgica é a alimentar. Segundo Sirlei, uma das formas de evitar o mal é dar aos pets apenas produtos destinados a eles. “Doces, pães, queijo e outros alimentos que comemos devem ser evitados”, afirmou a veterinária.
Esse é o caso da poodle Meg, a cadela de 12 anos, que, além de alergia alimentar, possui atopia. A estudante Janaína Fernandes conta que Meg sempre sofreu com coceiras pelo corpo e, com a idade, o quadro clínico piorou.
No ano passado, Janaína Fernandes decidiu fazer teste alérgico em Meg. O resultado mostrou que a poodle é alérgica a perfume, cigarro, poeira, grama, milho, cenoura e tomate. “Ela toma medicamentos à base de corticoide e come uma ração hipoalergênica. Fico agoniada quando a Meg começa a se coçar e por isso nem penso, faço qualquer coisa para que ela fique bem”, disse.
Além das alergias como a de Meg, há dermatites provocadas por tristeza, estresse, depressão e outras causas emocionais. “Todo animal que lambe a pata possui alguma doença psicológica. Nesse caso é preciso entrar com tratamentos antidepressivos e ansiolíticos”, disse a veterinária.
Micoses e piodermites são outros tipos de doenças de pele que exigem atenção. As micoses são causadas por fungos e são transmissíveis, inclusive ao homem. E as piodermites são infecções mais profundas, causadas por bactérias.
Outro tipo de doença de pele está ligado a problemas nas glândulas tireoides e na glândula supra-renal. Segundo a veterinária, as dermatites hormonais estão sempre ligadas a outros problemas de saúde como hipotireoidismo, a obesidade e problemas renais.
Doença possui dois tipos e é transmissível
Popularmente conhecida, a sarna é outro problema comum dos pets. Existem dois tipos delas, a escabiose, transmissível a outros animais e ao homem, e a demodécica, considerada mais grave e transmitida nas primeiras horas de vida da mãe para o filhote, que é amamentado.
A dona de casa Cristiane Silva descobriu que seu cachorro Fred tinha sarna demodécica na primeira semana que chegou à sua residência. O shitzu de 3 anos apresenta os sintomas da doença sempre que está com a imunidade baixa.
Cristiane já chegou a gastar R$ 700 reais por mês em tratamentos para Fred. A dona de casa conta que, quando descobriu a doença, foi muito difícil. “Tinha acabado de perder meu marido e tive que cuidar do Fred. Ele apresentava sangramento e cerca de 90% de sua pele estava com ferida”, disse.
Uma amiga da dona de casa até sugeriu que o cachorro fosse sacrificado, mas, mesmo diante das dificuldades, Cristiane não desistiu de Fred. “Acho que, por conta das perdas que tive na vida, criei um envolvimento maior com meu cachorro, é um amor incondicional”, afirmou a dona de casa.
Depois de muita luta, a doença de Fred está controlada. Cristiane segue rigorosamente as orientações da veterinária e o shitzu visita a clínica semanalmente para tomar antibióticos e remédios para aumentar a imunidade.
“Pela primeira vez, o Fred está há três meses sem ter a doença e mesmo ainda gastando cerca R$ 300 por mês, vejo que valeu a pena não sacrificá-lo. A companhia de Fred me faz muito bem. Ele é muito carinhoso.”
Formas de tratamento e prevenção das doenças de pele
De acordo com a médica veterinária Sirlei Manzan, cada doença tem uma forma de tratamento. “De uma forma geral, todas precisam de tratamento tópico com xampu. Algumas de medicação oral como antifúngicos e antibióticos, outras de reposição hormonal. E algumas alergias podem necessitar até de vacinas ou mudança drástica na dieta e no ambiente do animal”, afirmou.
Com exceção das dermatites que são de origem genética, muitas doenças de pele podem ser evitadas com cuidados simples. “É preciso manter o animal sempre limpo e em um ambiente adequado”, disse Sirlei.
Os banhos devem ser frequentes com produtos apropriados ao tipo de pelo e pele do animal. Pelos com nós ou molhados formam um ambiente propício para o aparecimento das dermatites.
A veterinária deixa uma alerta aos proprietários de cães. “Nem sempre feridas pelo corpo é sinal de dermatite. Uma doença grave e fatal para cães e humanos é a leishmaniose que tem como sintoma justamente o aparecimento de feridas pelo corpo. Por isso, o ideal é que, ao encontrar alguma ferida no animal, procure um médico veterinário o mais rápido possível”, disse Sirlei Manzan.
Fonte: Correio de Uberlândia
domingo, 14 de abril de 2013
Úlceras de Córnea
Úlceras de Córnea
Úlceras de córnea ocorrem com grande freqüência em cães e gatos, principalmente nas raças braquicefálicas (focinho “achatado”). Podem ser causadas por diversos motivos, mas os principais são os traumas, entrópio (pálpebras viradas para dentro), triquíase e distiquíase (cílios e pêlos tocando a córnea) e ceratoconjuntivite seca (doença causada pela diminuição da quantidade ou da qualidade da lágrima).
Quanto mais superficial a úlcera de córnea mais dolorida ela é, pois as terminações nervosas da córnea se encontraram na superfície. Por isso que apresentamos o reflexo de piscar quando cai um cisco no olho, por exemplo. Portanto quando seu animalzinho aparentar desconforto ocular (olho fechado, piscando muito e lacrimejando), procure o mais rápido possível um oftalmologista veterinário. Agora você pode se perguntar: “mas se é superficial, porque a urgência no atendimento?”. Porque em úlceras mais profundas a dor é menos intensa (não há terminações nervosas nas camadas mais profundas), então você pode achar que ele está “melhorando”, mas na verdade a situação está mais grave, e uma úlcera de córnea não tratada, ou tratada de maneira incorreta, pode levar à perfuração ocular.
Apesar de a córnea ser uma estrutura fina (0,6 a 1,0 mm de espessura central em cães) microscopicamente é constituída por quatro camadas:
O diagnóstico é realizado quando instilamos colírio de fluoresceína sobre a córnea. Este colírio irá corar de verde o local onde está a úlcera (figura 2 B).
Por que tratar a Úlcera de Córnea?
Quanto mais superficial a úlcera de córnea mais dolorida ela é, pois as terminações nervosas da córnea se encontraram na superfície. Por isso que apresentamos o reflexo de piscar quando cai um cisco no olho, por exemplo. Portanto quando seu animalzinho aparentar desconforto ocular (olho fechado, piscando muito e lacrimejando), procure o mais rápido possível um oftalmologista veterinário. Agora você pode se perguntar: “mas se é superficial, porque a urgência no atendimento?”. Porque em úlceras mais profundas a dor é menos intensa (não há terminações nervosas nas camadas mais profundas), então você pode achar que ele está “melhorando”, mas na verdade a situação está mais grave, e uma úlcera de córnea não tratada, ou tratada de maneira incorreta, pode levar à perfuração ocular.
Constituição da Córnea
Apesar de a córnea ser uma estrutura fina (0,6 a 1,0 mm de espessura central em cães) microscopicamente é constituída por quatro camadas:
- Epitélio com membrana basal;
- Estroma;
- Membrana de descemet e endotélio (figura 1 A).
Figura 1: Desenho esquemático das camadas histológicas da córnea (A) e de uma úlcera corneana atingindo a camada estromal (B).
Diagnóstico de Úlcera de Córnea
O diagnóstico é realizado quando instilamos colírio de fluoresceína sobre a córnea. Este colírio irá corar de verde o local onde está a úlcera (figura 2 B).
Figura 2: Córnea antes do teste da fluoresceína. Teste da fluoresceína positiva evidenciando úlcera de córnea superficial em cão (seta) (B).
Sem este teste, muitas vezes, é difícil localizar a lesão (figura 2 A). Mas a fluoresceína só cora a camada estromal da córnea, portanto úlceras muito profundas (figura 3), com risco de perfuração ocular, não se coram.
Figura 3: Úlcera profunda (seta) em cão com ceratoconjuntivite seca crônica. Observe intensa melanose e edema de córnea.
domingo, 24 de março de 2013
Doença de Von Willebrand
A Doença de von Willebrand (DvW) é o distúrbio hemorrágico
geneticamente transmissível
mais prevalente em cães. É de extrema importância para
algumas raças, podendo ser letal ou se manter
silenciosa até que o indivíduo enfrente um desafio ao seu
sistema hemostático. É uma anormalidade
qualitativa e/ou quantitativa no Fator de von Willebrand
(FvW), responsável pela adesão das plaquetas
ao colágeno do subendotélio vascular em caso de lesão vascular
e pela adesão entre plaquetas para
formar o tampão plaquetário na hemostasia primária.
São descritos 3 tipos de DvW em cães. O Tipo I é o mais
prevalente e de apresentação mais
branda, afetando mais de 50 raças, em especial os dobermans.
O tipo II é o mais raro sendo descrito
apenas em pointers. O tipo III da doença é mais prevalente
nos scottish terriers e shetland sheepdogs,
apesar de já ter sido relatado em outras raças, sendo
extremamente severo, com redução marcante ou
mesmo ausência de FvW no plasma.
O diagnóstico é difícil, podendo ser feito pela dosagem dos
antígenos anti-FvW no plasma ou,
ainda, pela técnica de P.C.R., capaz de identificar
indivíduos afetados, livres ou portadores do gene
responsável pela DvW.
O tratamento é feito à base de hemoterapia (plasma fresco
congelado, crioprecipitados, ou
sangue fresco), uso de FvW recombinante ou ainda pode-se
utilizar a desmopressina (DDAVP), análogo
da vasopressina que possui o poder de elevar a concentrações
plasmáticas de FvW sem os efeitos
colaterais da última.
A doença de von Willebrand (DvW) é o distúrbio hemorrágico
mais comum em cães e é
causada pela transmissão genética de defeitos no Fator de
von Willebrand (FvW), uma glicoproteína
adesiva multimérica necessária para a adesão plaquetária em
locais de dano vascular e para a
estabilização do Fator VIII da coagulação (FVIII). Então, o
FvW desempenha um duplo papel na
hemostasia: media a ligação das plaquetas ao subendotélio,
que é crucial para a hemostasia primária, e
protege o FVIII da inativação proteolítica, o que é
essencial para a hemostasia secundária.
O termo “Doença de von Willebrand" se refere a uma
classe heterogênea de doenças da
coagulação, caracterizadas por anormalidades no FvW
quantitativas, qualitativas ou ambas, que levam a
sintomas de falha na hemostasia primária, pois este é o
único fator de coagulação que atua nesta fase.
Em humanos há estudos que relatam que estes sintomas são
mais comuns em mulheres, basicamente
devido ao maior desafio hemostático gerado pela gravidez e
períodos menstruais.
A DvW é uma doença heterogênea, classificada em subtipos de
acordo com a apresentação e
severidade dos sintomas clínicos, modo de herança e também
de acordo com as anormalidades
bioquímicas no FvW. Ela é caracterizada por uma alteração
qualitativa ou quantitativa da molécula da
proteína do FvW, o que faz com que ocorra de maneira
deficiente ou mesmo não ocorra a hemostasia
primária, causando assim desde sangramentos que podem ser
discretos ou brandos até hemorragias
descontroladas após procedimentos cirúrgicos. A DvW é
conhecida no homem desde 1926, quando foi
diagnosticada pelo médico Erik von Willebrand. Em animais
ela foi descrita pela primeira vez em 1970,
por W. Jean Dodds, em cães. Hoje a DvW já foi descrita em
mais de 54 raças e é mais prevalente em
algumas, em especial o doberman.
A DvW se diferencia das hemofilias por se tratar de uma
anormalidade do FvW, e não dos
fatores VII ou VIII como naquelas. Também é diferente por
tratar-se de uma característica autossômica,
afetando igualmente machos e fêmeas, diferentemente das
hemofilias, que afetam quase que
exclusivamente machos, pois são mutações ligadas ao
cromossomo sexual.
A mutação do gene do FvW não é a mesma nas diferentes raças,
fazendo com que cada raça
tenha tendência a se enquadrar em um dos tipos da doença. Os
dobermans têm uma mutação que
impede que haja total ausência do FvW já nos pointers a
mutação leva à forma mais rara da doença,
onde os seus multímeros decrescem de maneira desigual, com
maior depleção daqueles que têm maior
ação biológica. Por isso o diagnóstico da DvW é difícil, já
que os vários tipos podem possuir indivíduos
livres da doença, indivíduos afetados ou ainda carreadores
do gene. Estes últimos são de importante
detecção para que criadores não disseminem o gene através de
cruzamentos entre carreadores,
gerando crias com mais animais portadores e doentes.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Glândula salivar
PET - Saiba o que é Mucocele ou Sialocele em animais
Os pets podem apresentar um problema não muito raro em suas glândulas salivares. Quando isto ocorre, a enfermidade é denominada mucocele (ou sialocele). O termo consiste em uma coleção de saliva localizada em uma região anormal, resultante do extravasamento da glândula salivar ou de seu ducto em virtude de algum tipo de injúria.
A enfermidade é mais comum em cães que em gatos, não havendo faixa etária predisponente. O sinal clínico mais comum é o aparecimento de um aumento de volume ou uma massa flutuante de consistência mole, variando a sua localização de acordo com a glândula salivar afetada. Desse modo, a mucocele pode se localizar no tecido subcutâneo, sublingual, faríngeo ou próximo aos olhos. Entretanto, as glândulas salivares mais acometidas são as mandibulares e as sublinguais.
Diversos fatores podem causar a moléstia, tais como traumatismos - nos quais ocorra ruptura dos ductos glandulares - em casos obstrutivos parciais ou totais, neoplasias, processos inflamatórios e/ou infecciosos, ou seja: quando houver qualquer dano glandular ou ductal pode ocorrer a possibilidade de extravasamento salivar.
O extravasamento de saliva a partir da glândula e de seu ducto ocasiona, conseqüentemente, um processo inflamatório e a formação de tecido fibroso local, além do acúmulo salivar progressivo. Isto pode causar dor e dificuldade de deglutição. Em alguns casos observa-se ainda salivação excessiva, podendo haver ou não a presença de estrias de sangue.
O diagnóstico da mucocele, geralmente, é realizado através do histórico, exame físico e aspiração de um líquido viscoso limpo. Porém em alguns casos, ainda podem ser solicitados exames de sangue, raio-x, ultrassom e até biópsia, nos casos em que há suspeita de neoplasia.
O tratamento pode ser realizado através de duas maneiras, dependo do caso, a correção cirúrgica e o tratamento conservativo. Este último é realizado através de antibióticos e antinflamatórios, entretanto a correção cirúrgica consiste no tratamento de escolha, visto que o conservativo pode causar recidivas, estenose ductal e formação de cistos. Mesmo após o procedimento cirúrgico e a retirada da glândula, o animal continua tendo capacidade em umedecer o alimento. Esta é uma preocupação muito comum dos proprietários nestes casos. A alimentação continua sendo realizada com facilidade pela presença das outras glândulas salivares que suprem a necessidade de produção salivar.
Rafael Claro Marques
(CRMV-SP 18.849) é médico veterinário e
pós-graduado em Clínica Médica de Pequenos Animais
dr.rafael@clinicapontegrande.com.br
ESPOROTRICOSE
ESPOROTRICOSE EM UM CANINO
A esporotricose é uma doença granulomatosa crônica de significado mundial causadapelo fungo saprófita dimórfico Sporothrix schenckii (TABOADA, 2004). Acomete o homem e
várias espécies de animais, sendo os felinos mais freqüentemente infectados pelo agente. É
um fungo geofílico, que se apresenta na forma micelial, entre 25oC e 30oC, considerado
saprófito de cascas de árvore e de solos ricos em matéria orgânica e vegetação. Na forma
parasitária, a 37oC, passa à levedura, crescendo em lesões dermo-epidérmicas, viscerais e
ósseas. É considerada a micose subcutânea mais freqüente da América do Sul (KWONCHUNG & BENNETT, 1992).
A micose é freqüentemente adquirida através da inoculação traumática de vegetais ou
matéria orgânica contaminada (KWON-CHUNG & BENNETT, 1992), mas a inalação, a
aspiração ou a ingestão do fungo também podem produzir doença (BRUM et al., 2007). Os
felinos, pelo hábito de cavar buracos e afiar suas garras em troncos de árvores, podem
tornar-se portadores do agente e assim infectar outros animais e o homem (IKEDA &
OTSUKA, 2000). A esporotricose canina tem potencial zoonótico mínimo (TABOADA, 2004). Fazendeiros, jardineiros, silvicultores, proprietários, tratadores de animais, médicos
veterinários e enfermeiros possuem risco aumentado de infecção (BRUM et al., 2007).
A infecção ocorre de três principais formas: doença cutânea, cutaneolinfática e
disseminada. No cão, a infecção geralmente é cutânea ou cutaneolinfática. A doença
disseminada é rara e em geral acompanha imunossupressão com corticóides. A forma
cutaneolinfática é comum no gato, e a disseminação é observada em mais de 50% dos
casos em felinos (TABOADA, 2004).
O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de esporotricose canina
atendida no Hospital de Clínicas Veterinária UFPel, evidenciando os aspectos clínicos,
métodos de diagnóstico e a eficácia da terapia realizada.
2. MATERIAL E MÉTODOS
Foi atendido no Hospital de Clínicas Veterinária da Universidade Federal de Pelotas
(HCV-UFPel), um canino, fêmea, sem raça definida, 3 anos de idade, com histórico de
aumento de volume da região nasal há aproximadamente 5 meses. O proprietário relatou
que o animal apresentava prurido (onde?), emagrecimento progressivo, dispnéia, secreção
nasal serosa e espirros. À inspeção notou-se que o animal apresentava áreas ulceradas,
exsudativas e crostosas na região nasal.
No exame físico geral não se constatou alterações nos sinais vitais. À palpação, os
linfonodos submandibulares, pré-escapulares e poplíteos encontravam-se aumentados.
Coletou-se sangue para a realização de hemograma e bioquímica sérica e realizou-se exame
radiológico da região nasal para avaliação das estruturas ósseas.
Para o diagnóstico definitivo foi coletada amostra do exsudato com um swab estéril
para cultura e isolamento fúngico. O animal foi anestesiado e submetido a uma biopsia
incisional para a análise histopatológica. O material foi enviado para o Laboratório Regional
de Diagnóstico (LRD) da Universidade Federal de Pelotas.
O animal foi submetido à terapia hospitalar com itraconazol (10mg/kg a cada 24 horas
durante 30 dias), enrofloxacina (5mg/kg a cada 24 horas durante 10 dias) sucedida por
cefalexina (30mg/kg a cada 12 horas durante 10 dias) e complexo vitamínico.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O hemograma revelou acentuada anemia (hematócrito de 25%) e não foram
encontrados alterações nos parâmetros fisiológicos de uréia e creatinina. Em função dos
achados hematológicos optou-se pela utilização de estimulantes do apetite e da eritropoiese.
O fungo Sporothrix schenckii foi isolado das amostras enviadas para o laboratório de
micologia, embora Taboada (2004) refira que as lesões nos cães contêm pouquíssimos
microorganismos. Na histopatologia, não foi possível a visualização do fungo pela coloração
PAS, embora Jones et al. (2000) afirmassem que os microorganismos ficam evidenciados
como pequenas leveduras em forma de charuto quando corados por esta técnica. O laudo
histopatológico revelou dermatite pio-granulomatosa focalmente extensiva com ulceração,
compatível com o quadro de esporotricose (MEDLEAU & HNILICA, 2003). Não foi constatado
comprometimento da estrutura óssea no exame radiológico.
É relevante destacar que o diagnóstico diferencial inclui outros granulomas
infecciosos, granulomas por corpo estranho e neoplasias (BRUM et al., 2007).
No paciente em questão a terapia instituída foi a base de intraconazol, o que vem ao
encontro de Taboada (2004), que afirma que os cães costumam apresentar boa resposta ao
iodeto de potássio (40mg/kg a cada 8-12 horas), ao cetoconazol e ao itraconazol (10mg/kg a cada 12-24 horas). Utilizou-se antibiótico para combater a dermatite bacteriana secundária
presente na lesão do focinho.
4. CONCLUSÕES
O diagnóstico de esporotricose em cães mostra-se um desafio para o médico
veterinário devido às dificuldades na identificação do agente etiológico, na diferenciação de
outras enfermidades cutâneas com aparência clínica semelhante e a baixa casuística nessa
espécie, principalmente quando comparado aos felinos.
A terapia instituída visou à recuperação orgânica do paciente e a terapia específica
para a enfermidade, baseada num antifúngico sistêmico eficaz e com poucos efeitos
colaterais. A antibioticoterapia instituída mostrou-se indispensável para o controle da
infecção bacteriana secundária à lesão.
O diagnóstico precoce e a instituição da terapia adequada diminui o potencial
zoonótico da enfermidade e melhoram os resultados terapêuticos.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUM, L.C. et al. Principais dermatoses zoonóticas de cães e gatos Clínica Veterinária, n.
69, p. 29-46, 2007.
JONES, T.C.; HUNT, R.D.; KING, N.W. Moléstias causadas por fungos. Patologia
Veterinária. 6. ed. São Paulo: Manole, 2000. p. 537-538.
MENDLEAU, Linda; HNILICA, Keith A. Micoses cutâneas. Dermatologia de pequenos
animais. São Paulo; Roca, 2003. p. 51-52.
TABOADA, J. Micoses sistêmicas. In: ETTINGER, S.J.; FELDMAN, E.C. Tratado de
medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2004. vol.1; p.
497 - 499.
KWON-CHUNG, K.J.; BENNETT, J.E. Sporothrichosis. In: RIPPON, J.W. Medical
mycology. Philadelphia: Lea & Fibeger, 1992. p. 707- 729.
IKEDA, F.; OTSUKA, M. Esporotricose o mau das garras Nosso Clínico. n. 17, p.8-10,
set/out 2000
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